Como salvar uma vida

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Imagine que você está diante de um incêndio.

Você atravessa as chamas, derruba uma porta, e deixa uma centena de pessoas que estavam aprisionadas sair. Você é um herói, um altruísta. Mas você pode salvar igual número de vidas de outras formas, indiretamente, sem arriscar a sua vida: doando parte do que você ganha ou doando seu tempo e habilidades profissionais a uma causa.

Muitos de nós apoiamos causas com base em estímulos emocionais, de imagens sensibilizantes de crianças, animais, ou florestas e rios. Mas existem outros que reagem de forma diferente. São pessoas movidas mais pela argumentação que pela empatia.

Quanto maior o doador, maior será a tendência de fazer suas doações escolhendo organizações humanitárias pela transparência e eficiência no uso do dinheiro, avaliando causas pela quantidade de vidas salvas ou impactadas para cada Real doado.

Mesmo usando a razão, nem sempre haverá uma fórmula simples que nos ajude a escolher entre apoiar uma causa ou outra: a causa da criança ou da mulher, do combate a uma doença ou falta de recursos hídricos, por exemplo, e a decisão recairá na empatia e emoção.

Segundo o UNICEF, em 2009, quase 10 milhões de crianças morreram por ano por causas preveníveis relacionadas à pobreza, sobretudo por malária, sarampo, diarreia e pneumonia.

Em 2014, esse número caiu para 6 milhões, resultando na queda do número de mortes de crianças por doenças preveníveis de 27.000 para 17.000 por dia.

O fato de que 10.000 crianças estão sendo salvas a cada dia, e que a ajuda de inúmeras organizações humanitárias tem tido um importante papel nisso, pode reforçar a nossa crença de que nós também podemos salvar vidas, apoiando boas causas realizadas por organizações sérias e eficientes, praticando o altruísmo, incentivando-nos a fazer mais pelos menos favorecidos.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotary 2016-2019

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Marketing de Causa

DietCoke_RaceforCureAntigamente, as palavras “Filantropia” e “Caridade” tinham o mesmo significado: “amor à humanidade”. A primeira vem do grego, e a segunda do latim. Com o tempo, cada uma adquiriu um significado diferente.

Caridade adquiriu um sentido relacionado à carência dos pobres, e Filantropia à generosidade, sobretudo dos ricos.

Mesmo que você não seja rico, você tem tempo, conhecimento, habilidades e outros recursos que podem ser usados para ajudar pessoas necessitadas. Se você possui ou trabalha em uma empresa, gostará de saber que existe uma nova expressão – “Marketing de Causa” – que significa usar os recursos de marketing da empresa para tornar o mundo um lugar melhor. Isso pode ser feito diretamente, com uma ação social, ou, indiretamente, apoiando uma iniciativa de alguma organização humanitária – é mostrar que a sua empresa se importa com algo a mais além do lucro.

Após o tsunami nas Filipinas em 2011, a Coca-Cola resolveu suspender a publicidade no país (afinal pouca gente tinha dinheiro para tomar refrigerante naquela altura), e doou a verba para a ajuda aos sobreviventes. Foram 2,5 milhões de dólares. Muitos elogiaram a iniciativa, enquanto que outros questionaram se aquilo não era uma jogada de marketing. Mas o dinheiro da empresa acabou sendo muito útil e por causa disso, as pessoas passaram a achar que afinal a Coca-Cola era uma empresa “bacana” por ter feito aquilo.

Uma parceira entre empresa e organização humanitária deve ser do tipo ganha-ganha. Com isso a organização humanitária consegue os recursos que precisa para sua causa, e a empresa ganha uma aura que faz melhorar a opinião de seus clientes a seu respeito. Mas a preocupação pela causa deve ser verdadeira – ambos devem estar engajados e comprometidos com ela.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotary 2016-2019

Fundraising

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Fundraising é uma palavra inglesa que quer dizer levantamento de recursos. É onde boa parte dos voluntários de uma organização humanitária dedica seu tempo.

Até mesmo Bill Gates, o homem mais rico do mundo, dono da maior Fundação filantrópica do mundo, faz fundraising junto a outros bilionários e empresas para as causas que ele defende.

O fundraising será tão eficaz quanto for a relevância da causa para o doador.

É a prevenção do câncer feminino, para as mulheres, do câncer de próstata para os homens; ou ainda a causa da infância, da saúde, da educação, da pobreza, ou da paz. Porém, a batalha final para conquistar a atenção e engajamento do doador acontece no campo da imagem e percepção.

As iniciativas mais bem sucedidas utilizam um forte apelo emocional para angariar apoio.

A mensagem tem que atingir algo que as pessoas amam profundamente (como, por exemplo, animais, natureza ou crianças) ou temem muito (doença, violência). Por amor ou por medo, o seu apelo tem que gerar uma forte resposta emocional. Isso não é maquiavélico, afinal o desejo de ajudar os outros é sempre algo que vem do coração. Não se preocupe se achar que a sua mensagem de marketing não reflete a totalidade do que você está propondo. Você poderá entrar em detalhes depois de estabelecer um vínculo emocional com o doador.

Mas uma coisa é levantar recursos através de churrascos beneficentes ou rifas; outra, é levantar recursos em empresas. Você está preparada para isso?

Nada se consegue sem entusiasmo.

Prepare a sua pasta, adicione transparência e honestidade, e você estará fazendo fundraising em empresas. Afinal, elas são feitas de pessoas, e sempre haverá pessoas que querem ajudar. O seu papel é dar a elas uma oportunidade de ajudar a fazer o bem ao mundo.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotary 2016-2019

Agenda 2030

Um dia, cientistas descobrirão que um asteroide se aproxima em rota de colisão com a Terra. O asteroide poderá destruir parte, ou o planeta todo.

Guerras e conflitos cessariam. O mundo inteiro iria se unir para procurar uma solução, levantar os recursos necessários, e uma organização global seria especialmente criada para executar o plano – explodir o asteroide ou desviá-lo de sua rota.

Ou, quem sabe ainda, iniciar uma nova civilização em Marte.

Isso pode de fato acontecer um dia. Todavia, temos agora mesmo a necessidade de unir o planeta para salvá-lo de outros problemas.

Em setembro de 2015, chefes de estado do mundo inteiro reuniram-se na sede da ONU para aprovar a Agenda 2030, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Animados com os resultados dos Objetivos do Milênio lançados em 08 de setembro de 2000, que tinham como o principal propósito eliminar a metade da pobreza do mundo até 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram criados para acabar com a pobreza de vez até 2030.

Mas desde a virada do milênio, novas ameaças surgiram, sobretudo ligadas ao meio ambiente. Por isso, as nações e ONGs afiliadas à ONU acresceram nove objetivos a serem perseguidos. Acabou ficando mais difícil saber de cor todos eles, mesmo assim, a seleção reflete o consenso a que o mundo conseguiu chegar.

objetivos globais 2030

E o que a ONU fará para que o plano seja obedecido?

A Organização das Nações Unidas é uma instituição criada para ser um fórum global de discussão e deliberação, mas não tem o poder de obrigar os países a fazerem nada. Por isso, agora, é a vez de todos fazerem a sua parte: Governos, empresas, universidades, e ONGs.

Em 2010, a Fundação Rotary definiu seis áreas de enfoque para o financiamento de projetos – paz e resolução de conflitos, prevenção e tratamento de doenças, saúde materno-infantil, água e saneamento básico, educação básica e alfabetização, desenvolvimento econômico e comunitário.

Considerando os novos objetivos da humanidade, esses enfoques continuam mais atuais que nunca. Com eles estaremos ajudando o mundo a enfrentar os desafios globais do século 21.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotary 2016-2019