Crise de refugiados da Síria: o que o Rotary está fazendo?

shelterbox

“A Síria é uma das maiores crises de refugiados da nossa era, uma causa contínua de sofrimento para milhões de pessoas que deveriam estar recebendo mais apoio do mundo”, declarou Filippo Grandi, Alto Comissário da UNHCR, Agência para Refugiados das Nações Unidas.

O que começou como uma manifestação pacífica contra o presidente sírio Bashar al-Assad, em março de 2011, acabou se transformando em uma enorme guerra civil interétnica, sem perspectivas de acabar.

Mais de 400.000 pessoas já perderam suas vidas, e mais de 6 milhões permanecem deslocadas em áreas sitiadas de difícil acesso na Síria. Diariamente, 6.000 pessoas fogem do país, e 4 milhões estão refugiadas em outros países. Destas, centenas de milhares são jovens desacompanhados.

A maioria dos refugiados chega somente com algumas roupas e pertences. Muitos estão feridos devido ao contínuo bombardeio.

Segundo John Hewko, Secretário Geral do Rotary International, “A situação dos refugiados da Síria é um teste definitivo para a compaixão do mundo”, e fez um apelo: “façam como os Rotarianos têm feito há mais de 100 anos: ajudem usando as suas habilidades profissionais e conexões, mobilizando suas comunidades locais para levantar ajuda para essa crise humanitária.”

Os membros do Rotary podem ajudar apoiando os esforços de assistência humanitária da ShelterBox.

Desde que foi criada em 2000 por um grupo de Rotary Clubs da Grã Bretanha, a ShelterBox se espalhou pelo mundo e vem atendendo casos de desastre por acidentes naturais e conflitos humanos, entregando ajuda humanitária através de kits de emergência para famílias desabrigadas.

Cada kit contém uma barraca com capacidade para 10 pessoas, uma lona, colchonetes, cobertores, fogareiro, panelas, pratos e talheres, recipiente e filtro para purificação de água e, conforme o clima, um aquecedor a querosene.

Além do apoio financeiro, o Rotary tem tido um papel importante para a ShelterBox à medida que os Rotary Clubs – 35.000 em 200 países e regiões – atuam como o primeiro ponto de contato da organização, assim que ocorre um desastre e pessoas são deslocadas de suas casas, em praticamente qualquer lugar do mundo.

A ShelterBox tem prestado auxílio à crise da Síria desde 2012, distribuindo kits de sobrevivência para mais de 9 mil famílias. Ao todo já foram gastos mais de US$ 5 milhões em ajuda humanitária.

A ajuda é levada aos campos de refugiados nos países vizinhos. Mas em Aleppo e outras partes da Síria onde a necessidade de ajuda humanitária é imensa, é difícil ter acesso aos necessitados. As equipes somente podem prestar apoio quando as condições de segurança o permitem.

Apesar das proporções da crise, os refugiados da Síria são apenas uma parte das 65 milhões de pessoas do mundo em igual situação. Conflitos na Somália, Honduras, Ucrânia e Burundi continuam expulsando as pessoas de seus países em uma escala jamais vista antes.

Somente a cessação do conflito pode dar fim ao sofrimento dos refugiados e essa responsabilidade está com aqueles que estão no poder. Contudo, face às dimensões sem precedentes do problema, cabe também um maior envolvimento e solidariedade de todas as nações e pessoas do planeta.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotary 2016-2019

Fontes: Rotary International, ShelterBox e UNHCR.

Anúncios

O homem que queria salvar o mundo

First Phase Digital

Era 1996. Em uma viagem ao Azerbaijão, país que esteve em guerra com a Armênia, o ministro das relações exteriores acompanhou Sérgio a um campo de refugiados.

Quando vários deles se aproximaram, Sérgio lhes disse que iria se encontrar com o presidente do país no fim do dia e perguntou, “Vocês querem que eu leve alguma mensagem a ele?” Uma velha senhora falou da melancolia que sentia por não poder voltar à sua casa no campo.

Ele continuou caminhando e conversando com outros refugiados, oficiais do governo e trabalhadores da ONU. No fim da visita, o ministro acompanhou Sérgio à saída, onde um automóvel o aguardava. Quando estava para entrar no carro, ele parou e disse, “Preciso ver aquela senhora novamente.” A delegação retornou à barraca da mulher, onde ela permanecia em pé, do lado de fora.

“Do que você sente mais falta?”, perguntou Sérgio. “Minha vida inteira vivi e cuidei da terra sozinha. Nunca dependi de ninguém. Agora, estou aqui há três anos dependendo das doações da ONU para viver. É muito difícil.” e ela olhou para o chão com tristeza. “E o que você gostaria para você?” ele perguntou.

Olhando para ele, ela disse, “Eu quero subir aos céus e virar uma nuvem. Quero ir pelo céu até o meu pedaço de terra, e quando encontrá-lo quero virar chuva e cair à terra, até poder ficar para sempre no lugar que eu pertenço.”

Sérgio sabia que a crise não seria resolvida durante a vida dela, mas ele prometeu fazer o que estivesse ao seu alcance.

Aos 21 anos de idade, Sérgio Vieira de Mello foi trabalhar no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, UNHCR, onde, durante 34 anos, atuou na ajuda humanitária em praticamente todos os principais conflitos armados do planeta – guerras civis, genocídios e terrorismo.

Sérgio prestou assistência humanitária a refugiados em Bangladesh durante a independência em 1971, no Sudão no fim da guerra civil em 1972, no Chipre após a invasão da Turquia em 1974, em Moçambique durante a guerra civil em 1975, no Líbano durante o conflito com Israel em 1981, e no Cambodja entre 1991 e 1993; participou das forças da paz da ONU na Croácia, Bósnia-Herzegovina em 1993, e em Ruanda, após o genocídio da etnia Hutu sobre a Tutsis em 1994.

De 1999 a 2002, ele atuou pela ONU, como administrador da transição de governo do Timor Leste, tendo que planejar o retorno dos refugiados, reintegrar as forças militares, criar uma estrutura de governo, definir uma nova constituição, organizar eleições, e cuidar da reconstrução do país, de hospitais e escolas.

Em 2002, Sérgio Vieira de Mello foi designado Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Ele foi o primeiro brasileiro a chegar ao alto escalão da ONU, e era considerado por muitos como o virtual sucessor de Kofi Annan na Secretaria-Geral das Nações Unidas.

Depois dos ataques de 11 de setembro às torres gêmeas de Nova Iorque, mesmo a contragosto, em maio de 2003, ele é nomeado representante especial do Secretário-Geral da ONU no Iraque.

Por ter atuado na separação do Timor Leste da Indonésia (um país islâmico), sem saber, ele havia se tornado um alvo da Al Qaeda. Três meses após assumir o cargo, um caminhão-bomba explode ao se atirar contra o prédio da ONU em Bagdá. Sérgio, fica soterrado sob as ruínas por mais de três horas. Ele ainda consegue se comunicar com a equipe de resgate através dos escombros. Mas em vão.

Sérgio Vieira de Mello morreu em 19 de agosto de 2003. Ele era considerado por muitos a personificação do que a ONU deveria ser.

Em sua memória, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou em 2008 uma resolução estabelecendo o dia 19 de agosto como o Dia Mundial Humanitário, para homenagear todos os trabalhadores que perderam as vidas no cumprimento de sua missão, na promoção da causa humanitária apoiando as vítimas de conflitos armados.

A Fundação Rotária compartilha da crença de um mundo melhor promovendo a paz e reduzindo conflitos, apoiando projetos realizados por Rotary Clubs em 220 países e regiões, e com a formação de futuras lideranças através das Bolsas Rotary pela Paz.

Vídeo comemorativo do Dia Mundial Humanitário em 2012:

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária 2016-2019

Artigo baseado no livro “O homem que queria salvar o mundo” de Samantha Power, Embaixadora dos EUA na ONU no governo de Barack Obama.

Fevereiro: mês da paz e resolução de conflitos

No Rotary, fevereiro é o mês dedicado à paz e resolução de conflitos – uma da seis áreas de enfoque da Fundação Rotary. Conheça os artigos publicados deste tema publicados neste site. (Clique nos links para ler os artigos.)