Inferno na Terra. Parte II.

No início da Segunda Guerra Mundial, estrategistas militares passaram a acreditar que vitórias poderiam ser conquistadas atacando-se a infraestrutura industrial do inimigo.

Com o desenrolar da Guerra, campanhas denominadas “bombardeios estratégicos” passaram a ser deliberadamente realizadas para atingir populações civis, a fim de produzir destruição e medo.

Necessidade militar juntamente com Distinção e Proporcionalidade são três princípios do Direito Internacional Humanitário, também conhecido por Jus in Bello, que regem o assunto.

De acordo com esses princípios, nações beligerantes podem realizar ataques contra objetivos militares, mesmo quando sabem que ocorrerão mortes não intencionais de civis – ou “danos colaterais”. Todavia, é considerado crime de guerra se um ataque intencional é lançado sem distinção sobre pessoas, envolvendo um número desproporcional de perdas civis em relação ao objetivo militar.

O desenvolvimento de aeronaves cada vez mais poderosas era tido como uma vantagem militar, o que impediu a negociação de tratados específicos sobre o uso desses equipamentos. Na ausência dessas leis, as nações guiaram-se pelas Convenções de Haia de 1899 e 1907, que tratavam apenas de ataques em terra e mar.

Essas Convenções não forneciam uma orientação clara sobre a proporção de civis que deveria ser poupada nos ataques. Por essa razão, ao final da Guerra, os tribunais de Nuremberg e de Tóquio não criminalizaram o bombardeio aéreo de alvos não combatentes, e acabaram conferindo legitimidade a essas práticas. Isso estabeleceu um precedente para as guerras da Coreia e do Vietnã, e de outras que vieram depois.

Esse tipo de ataque, não atômico, como o bombardeio de Tóquio de 1945, tem sido largamente ignorado pela opinião pública. E para alguns, as bombas atômicas eram um mero refinamento da arte do bombardeio aéreo – um meio mais eficiente para se alcançar os mesmos fins.

Com a Convenção das Nações Unidas sobre Certas Armas Convencionais de 1980, o uso de Napalm e outros materiais incendiários contra populações civis foi banido pela ONU. Mesmo assim, vários países não aderiram ao tratado.

O Rotary busca uma sociedade mais pacífica e humana através dos Centros Rotary pela Paz e das Bolsas Rotary pela Paz, formando futuros líderes para atuar nas causas e soluções das guerras e conflitos.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária 2016-19

Fonte: Artigos “Bombing of Tokyo”, “Collateral damage”, “Strategic bombing during World War II”, “Napalm”, “Hague Conventions of 1899 and 1907”, publicados na Wikipedia.

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Inferno na Terra. Parte I.

10 de março de 1945. 01:00 da madrugada em Tóquio.

Queimando a 600 graus Celsius, as bombas continuavam a cair do céu. Não eram bombas comuns. Eram bombas incendiárias de Napalm, uma gelatina de plástico e gasolina.

A sirene antiaérea crescia em volume misturando-se ao rumor das aeronaves que sobrevoavam a cidade. Um coro crescente de pânico se seguia à medida que o incêndio começava a se espalhar.

O fogo consumiu um quarteirão e outro, e logo os quarteirões incendiados se uniram em uma imensa chama. O monstro de fogo precisava de ar para sobreviver, e começou um bocejo que passou a sugar todo o ar para criar um inferno, puxando tudo que encontrava no caminho num gigantesco turbilhão de fogo. O calor da conflagração era tão intenso que a água dos canais passou a ferver, o metal a derreter, e pessoas a pegarem fogo espontaneamente.

O inferno chegara à Terra.

No espaço de poucas horas, uma armada de 334 Boeings B-29 despejou 1.667 toneladas de bombas cheias de Napalm na capital japonesa.

O ataque foi dirigido principalmente à população civil na área central da cidade, onde vivia em casas tradicionais construídas de madeira e papel. Havia uma infinidade de pequenas fábricas.

Os bombardeiros voaram a caminho do Japão em uma única e longa procissão. Os B-29 foram ordenados a lançar as bombas durante a noite, a baixa altitude. Os primeiros a chegar jogaram as bombas criando um enorme “X” centrado na parte mais populosa de Tóquio. Os que chegaram depois simplesmente despejaram suas bombas no flamejante X.

Foi a Operação Meetinghouse, ou Local de Encontro, em português.

Uma área equivalente à metade de Manhattan foi destruída. Oitenta a 200 mil pessoas morreram. Mais de 1 milhão ficaram sem casa. Outras morreram de queimadura, doença e desnutrição nos dias seguintes.

Pouco antes das 2:00 horas da madrugada o ataque estava concluído. Tóquio estava destruída.

Sobreviventes carbonizados vagavam sem destino em meio à fumaça e às cinzas pelas ruínas da cidade.

A bomba atômica ainda não havia sido testada. Para forçar o Japão à rendição, os Estados Unidos havia estimado que o número de baixas decorrentes de uma invasão poderia exceder a 1 milhão de norte-americanos. As baixas japonesas seriam muito maiores. Restava somente uma opção: o ataque maciço das cidades japonesas com bombas incendiárias para destruir a indústria de guerra e desmoralizar a população.

O ataque aéreo foi também um ato de vingança: Pearl Harbor.

A linha divisória entre alvos civis e militares já tinha sido cruzada antes. Os principais combatentes da Segunda Guerra já adotavam a prática, Japão e Estados Unidos inclusive. Mas nunca nessa escala.

A tempestade de fogo de Tóquio foi um prelúdio para o bombardeio incendiário de mais 63 cidades e vilas japonesas antes do lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, cinco meses depois.

Ao todo, os Estados Unidos despejaram 157.000 toneladas de bombas sobre o Japão. Estima-se que 806.000 civis morreram.

O bombardeio de Tóquio nunca recebeu muita atenção. A Operação Meetinghouse foi o mais mortal ataque aéreo da história, mais que Hiroshima e Nagasaki, porém sempre permaneceu à sombra. Mesmo no Japão, poucas pessoas sabem que aconteceu, exceto aquelas que sobreviveram à tragédia .

Mas não esquecer a história é um dever para evitar que o passado não se repita no futuro.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária 2016-19

Fonte: “73 Years Ago Today: The Deadliest Air Raid in History, Operation Meetinghouse”, artigo publicado em 09/03/2018 na The Aviationist, “The Deadliest Air Raid in History”, artigo publicado em 09/03/2015 na AirSpaceMag, e “Cultures of War”, livro de John W. Dower.

Educar para superar a violência

A superação da violência se dá pela paz, disse o Papa Francisco na mensagem aos brasileiros para a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo lema é “Fraternidade e superação da violência”.

Com menos de 3% da população mundial, o Brasil registra 13% dos assassinatos que ocorrem no planeta, segundo o Atlas da Violência, publicação do IPEA e do Fórum Brasileiro de Segurança.

Por que há tanta violência no Brasil? O que podemos fazer para reduzi-la?

Aplicação rigorosa das leis existentes e cadeia seguramente contribuiriam. Mas não bastam. É preciso um sistema de educação de qualidade e que a escola ensine princípios básicos, como a moral e os bons costumes.

Como disse Ruth Cardoso, pobreza não é apenas falta de dinheiro, mas também de oportunidades. E, acrescento, oportunidades geralmente surgem para quem está preparado, com bom nível educacional. Oportunidades também se conquistam!

A evasão escolar é uma das raízes da violência no País. A média de estudantes que não concluem o ensino médio é de 41% no Brasil e de 32% em SC. Um jovem fora da lei não percebe que a educação é ponte para uma vida longa, feliz, longe da marginalidade. A educação de forma atraente, que prepare para a vida, é a melhor forma de minimizar esses dois problemas.

Educar para a vida é preparar o cidadão para aproveitar as oportunidades e reduzir a pobreza. O documento SC em Dados 2017, da FIESC, mostra que quem possui o ensino superior recebe, em média, 151% mais do que os que completaram apenas o ensino médio e estes ganham 10% mais que os que concluíram somente o ensino fundamental.

Em setembro de 2017, o Movimento SC pela Educação realizou workshop que mobilizou milhares de jovens, presencialmente e através das redes sociais. Em resumo, os jovens querem pais integrados à vida escolar, professores preparados e uma escola de qualidade que os atraia, envolva e prepare para a vida. Ou seja, uma educação que supere a violência e transforme o Brasil num país melhor. Viabilizar essa condição é nossa responsabilidade!

Artigo de Glauco José Côrte, presidente da FIESC, publicado nos jornais Diário Catarinense e A Notícia em 19/2/18. O Rotary Distrito 4651 é parceiro da FIESC no projeto de criação de laboratórios de informática em escolas públicas participantes do Movimento SC pela Educação.