Situação de alerta

No dia 3 de julho, o Ministério da Saúde divulgou uma lista de 312 municípios onde a vacinação contra poliomielite em crianças ficou abaixo de 50%, e alertou para o risco do retorno da doença que está erradicada no Brasil desde 1990.

Cinco dos municípios listados estão na área de atuação do Rotary Distrito 4651: Florianópolis, Palhoça, Pedras Grandes, Anitápolis e Major Gercino.

A pedido do Ministério Público de Santa Catarina, em novembro do ano passado, a Justiça determinou que um casal de Garopaba levasse seus dois filhos ao posto de saúde da cidade para que recebessem as vacinas disponibilizadas pelo governo. A decisão tem caráter de urgência e deve ser cumprida em dez dias pelos pais.

O casal optou em não vacinar os filhos por entender que as vacinas não são necessárias, que elas trazem mais malefícios que benefícios. A Secretaria Municipal de Saúde e o Conselho Tutelar tentaram convencer os pais sobre a importância da vacinação. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que a vacinação é obrigatória e que os pais são obrigados a vacinar os filhos. Na decisão, a Juíza sustenta que não se trata de opção dos pais, mais sim de obrigação, já que não somente os seus filhos poderão ser prejudicados em decorrência da ausência de imunidade contra doenças, mas também outras crianças e a população em geral.

Segundo a epidemiologista Carla Domingues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, “o sucesso das campanhas de imunização no Brasil tem causado uma falsa sensação de que as vacinas não são mais necessárias, e que a população só procura a vacina quando o surto está na mídia e temos pessoas morrendo. Fora isso, as pessoas não são vacinadas. Como se a vacina fosse uma ação curativa e não preventiva.”

Quem já viu um caso de varíola? Um caso de sarampo? Uma criança com pólio? Onde foi parar a difteria? A rubéola congênita? E o tétano neonatal? Essas doenças, tão graves e comuns no passado, tornaram-se desconhecidas na atualidade, graças ao sucesso das vacinas.

Outro problema, de acordo com a Dra. Carla, é a divulgação de factoides nas redes sociais. Somente no Facebook foram encontrados cinco grupos reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países, sobre as supostas reações às vacinas.

Se antes o movimento antivacina era encampado por religiosos ou conspiradores contra a indústria farmacêutica, hoje ele está cada vez mais “natureba”. A crítica agora é contra a artificialidade da vacina, que desregularia o sistema imunológico da criança por não conter substâncias naturais. Em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo esses grupos podem ter mais influência; nas regiões remotas da Amazônia a dificuldade pode ser de acesso às vacinas ou até mesmo da falta delas nos postos de saúde.

Em 2017, pela primeira vez, todas as vacinações indicadas para crianças ficaram abaixo da meta de 95% de imunização. A da poliomielite ficou em 77%; do sarampo, 71%. É o nível mais baixo de vacinação de crianças no Brasil nos últimos 16 anos.

Hoje em dia, as pessoas viajam para todos os lugares, o que possibilita a circulação de vírus e outros agentes infecciosos com muita facilidade. É o caso do sarampo. Desde 2001, ele não existia mais no Brasil. Entretanto, de 2013 a 2015, no Ceará e em Pernambuco, a queda na vacinação de sarampo acarretou em um surto que acometeu 1.277 pessoas. Em 2018, até julho, o Amazonas teve 519 casos de sarampo, Roraima 272, Rio de Janeiro 14, Rio Grande do Sul 13, Pará 2, São Paulo 1 e Rondônia 1. As autoridades associam o início do surto à chegada de venezuelanos refugiados na região norte. No mundo, foram 173.330 casos no ano, até agora. Essa doença não tem cura, pode causar cegueira, lesões cerebrais e levar à morte.

Qualquer vacinação dificilmente chega a 100% da população. Mas, quanto maior for o contingente vacinado, maior a proteção conferida inclusive aos não vacinados. É a chamada “imunidade de rebanho”. A vacina contra a poliomielite sempre esteve disponível o ano inteiro nos postos de saúde. Mesmo assim, até 2012, o Brasil fazia duas campanhas anuais de vacinação contra a doença.

Por recomendação da Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde voltará a realizar este ano a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo. Ela acontecerá de 6 a 31 de agosto de 2018, e no dia 18, será o Dia D da mobilização nacional. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos que procurarem os postos serão imunizadas – mesmo as que já tenham recebido as doses previstas no calendário infantil.

O sarampo está de volta. Agora, a preocupação é com a poliomielite. Como rotarianos, é hora de nos mobilizar e ajudar o poder público em nossas comunidades realizando campanhas públicas de divulgação, para incentivar os pais a vacinarem seus filhos e combater as fake news.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária 2016-19

Fonte: “Adepto ao movimento antivacina, casal de Garopaba é obrigado a vacinar os filhos”, Diário Catarinense, 22/11/2017; “Alerta: 312 cidades têm baixa cobertura vacinal da pólio”, Ministério da Saúde, 03/07/2018; “Doenças erradicadas criam falsa sensação de que vacina é desnecessária”, Empresa Brasil de Comunicação, 07/07/2018.

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