ONU proíbe armas atômicas

O Prêmio Nobel da Paz deste ano saiu para uma pequena ONG de Genebra.

Existem mais de 15.000 armas, a maioria dos Estados Unidos e Rússia. Sete outros países dividem o restante: Grã Bretanha, França, China, Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Apenas uma fração desse arsenal seria o suficiente para acabar com a vida no planeta.

Para dar um fim a isso, em julho de 2017, representantes de estado de 135 países e organizações não governamentais reuniram-se e concluiram as negociações do Tratado de Proibição das Armas Nucleares na ONU. Foi um passo histórico.

O tratado não irá funcionar de um dia para outro, mas irá estabelecer um novo marco legal, estigmatizando as armas nucleares, gerando uma pressão sobre as potências nucleares e as nações protegidas por elas.

A ICAN, Campanha Internacional para Abolição das Armas Nucleares, recebeu o Prêmio Nobel pelo destacado papel de mobilização para a defesa da causa. Com uma equipe de apenas 4 pessoas, a ONG representa uma coalizão de 468 organizações não governamentais em 101 países, dando voz a milhões de cidadãos do planeta que discordam das armas nucleares e querem que elas sejam eliminadas.

O prêmio é também um tributo às vítimas e sobreviventes das explosões de Hiroshima e Nagasaki, cujos testemunhos têm sido fundamentais para a causa.

E o Rotary? Podemos fazer alguma coisa para participar dessa mobilização global?

Paz e compreensão entre os povos faz parte da nossa missão, e paz e resolução de conflitos é uma das nossas áreas de enfoque. Por isso, na Conferência Presidencial pela Paz do Rotary, em junho deste ano em Atlanta, anunciou-se a parceria do Rotary com a iniciativa Green Legacy Hiroshima (Legado Verde de Hiroshima). Criada em 2011, a GLH envia sementes de árvores sobreviventes da bomba para o plantio em praças públicas, através de Rotary Clubs que queiram se tornar embaixadores da mensagem de paz e proteção à natureza, e da necessidade de se erradicar as armas atômicas e de destruição em massa. Mais de 30 países já plantaram as árvores.

Outra iniciativa é a Mayors for Peace (Prefeitos pela Paz). Criada em 1982 por um prefeito de Hiroshima, a Mayors for Peace trabalha para que cidades do mundo inteiro, através dos seus prefeitos, firmem o compromisso de combater as armas atômicas e lutar pela paz mundial. Mais de 7500 cidades em 162 países já fazem parte do movimento, entre elas Florianópolis e Joinville.

O Rotary Distrito 4651, através da Comissão Distrital da Fundação Rotária e do Governador Distrital, já iniciou tratativas com a Green Legacy Hiroshima para trazer sementes à Santa Catarina, e plantar as árvores nos 75 municípios pertencentes à área geográfica de atuação do Distrito. Para isso, está formando uma parceria com a EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), para importar as sementes e produzir as mudas.

Do mesmo modo, o nosso Distrito iniciou tratativas com a Mayors for Peace, para que os Rotary Clubs possam atuar como embaixadores da paz, convidando os prefeitos catarinenses a integrarem o movimento global pela paz e pelo fim das armas atômicas.

Há quem ache a iniciativa de acabar com as armas atômicas quixotesca, pois nenhuma potência nuclear irá abrir mão delas com facilidade. Todavia, o desarmamento não é um sonho, é uma necessidade. E urgente. A escalada do conflito entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte pode trazer consequências catastróficas para o planeta. Se existe um momento em que o mundo deveria declarar sua oposição às armas atômicas, esse momento é agora.

Wan Yu Chih
Presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária 2016-19

Artigo publicado no Informativo mensal de novembro do Rotary Distrito 4651.

Mais informações:

www.icanw.org

www.unitar.org/greenlegacyhiroshima

www.mayorsforpeace.org

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